quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Poema: "À Espera dos Bárbaros"


O que esperamos na ágora reunidos?

 É que os bárbaros chegam hoje.

 Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

 É que os bárbaros chegam hoje.
 Que leis hão-de fazer os senadores?
 Os bárbaros que chegam as farão.

 Por que o imperador se ergueu tão cedo
 e de coroa solene se assentou
 em seu trono, à porta magna da cidade?

 É que os bárbaros chegam hoje.
 O nosso imperador conta saudar
 o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
 um pergaminho no qual estão escritos
 muitos nomes e títulos.

 Por que hoje os dois cônsules e os pretores
 usam togas de púrpura, bordadas,
 e pulseiras com grandes ametistas
 e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
 Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

 É que os bárbaros chegam hoje,
 tais coisas os deslumbram.

 Por que não vêm os dignos oradores
 derramar o seu verbo como sempre?








sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Poema

Naquele dia, naquele ano,
suspeitei de algo, era
o cão que ladrava,
por dentro de um cano.